Uma dupla de pesquisadores da Faculdade de Ciências Agronômicas do câmpus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em colaboração com técnicos da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Copercana), desenvolveu uma estratégia para aprimorar a qualidade das sementes de amendoim tropical (Arachis hypogaea L.) e aumentar seu percentual de germinação e capacidade de estabelecer plântulas mais vigorosas, na direção de maior produtividade. A estratégia consiste em uma tabela com as fases de maturação das sementes, com orientações para que o produtor possa colhê-las no momento certo.

A produção brasileira de amendoim saltou de 346,8 mil toneladas na safra 2014/15 para 746,7 mil toneladas em 2021/22, gerando uma receita de quase R$ 3 bilhões, de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O estado de São Paulo responde por 92,8% dessa produção, com uma safra estimada em 692,7 mil toneladas. Aproximadamente 70% da produção brasileira é destinada ao mercado internacional.

O crescimento da produção brasileira também está ligado ao uso dessa leguminosa em áreas de renovação do solo para a produção de cana-de-açúcar. O uso contínuo do solo no ciclo de produção de cana provoca degradação física, química e biológica do substrato, ocasionando queda de produtividade e propiciando condições favoráveis para o surgimento de doenças, pragas e plantas daninhas. Entre outros benefícios, o cultivo de amendoim contribui para a conservação e recuperação do solo, elevando a produtividade dos canaviais, pois a planta é rica em nitrogênio e em outros nutrientes.

Para determinar o melhor momento de colheita, o produtor precisa ir a campo constantemente ao longo do ciclo de produção da variedade — que pode durar de 90 a 150 dias — e recolher algumas plantas em diferentes pontos da lavoura para avaliar o grau de maturação das sementes com base na cor da casca. O arranquio das plantas é realizado quando aproximadamente 70% das vagens estão maduras.

Sob orientação do professor Edvaldo Aparecido Amaral da Silva, Gustavo Roberto Fonseca de Oliveira, doutorando no Programa de Pós-graduação em Agronomia e Agricultura da Unesp, analisou centenas de sementes de amendoim em diferentes estágios de maturação para desenvolver um sistema no qual pudesse relacionar a morfologia da vagem com a qualidade fisiológica das sementes.

Com base nos dados obtidos em campo, os pesquisadores criaram uma tabela inédita baseada nas condições tropicais do país. O resultado do trabalho foi descrito em artigo publicado na revista Plos One.

“A tabela de maturação de sementes de amendoim usada pelos agricultores brasileiros foi produzida há quase quatro décadas por cientistas norte-americanos, de modo que se baseia não apenas em informações desatualizadas como também em ambientes de clima temperado”, afirma Oliveira. “Pela primeira vez, temos à disposição um material voltado às nossas condições climáticas e com foco na qualidade de sementes, essencial para a formação de uma nova lavoura.”

Os pesquisadores apresentaram e distribuíram cópias da tabela a produtores paulistas em evento promovido pela Copercana no início de setembro. A expectativa é a de que os agricultores a usem na próxima safra.

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