O Leilão de Transmissão n° 2/2023 realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), na sede da B3, em São Paulo, foi encerrado com os três lotes negociados. O certame possui a previsão de investimento mais alta já anunciada pela Agência: R$ 21,7 bilhões. O deságio médio foi de 40,85%.

Os três lotes contemplam 4.471 km de linhas de transmissão e subestações com capacidade de transformação de 9.840 MVA, localizados nos estados de Goiás, Maranhão, Minas Gerais, São Paulo e Tocantins.

O maior deles foi arrematado pela chinesa State Grid. Com investimento de R$ 18,1 bilhões, o lance prevê Receita Anual Permitida (RAP) de R$ 1,937 bilhão, o equivalente a um deságio de 39,9% em relação à máxima estipulada pela agência reguladora.

Determina ainda a construção de 1.468 quilômetros (km) de linhas de transmissão em corrente contínua, atravessando os Estados do Maranhão, de Tocantins e de Goiás. O prazo para realização do projeto é de 72 meses.

Atualmente, a State Grid, que opera no país desde 2010, detém em solo nacional mais de 16 mil km de linhas de transmissão, somando quase 30 mil torres espalhadas por 13 Estados.

As outras empresas que arrematam lotes no leilão foram consórcio Olympus XVI, formado por Alupar e Mercury Investments (pegou o lote 2, com um deságio de 47,01%) e Celeo Redes Brasil (lote 3, com deságio de 42,39%).

Sandoval Feitosa, diretor-geral da ANEEL, destacou que o sucesso do leilão permitiu competitividade e um grande deságio para o consumidor final. Ressaltou, ainda, a importância do certame para a reconfiguração do sistema.

“O leilão de junho deste ano, esse de agora e o de março de 2024 irão agregar mais 17 mil km de linhas de transmissão, o que representa quase 10% de todo o sistema de transmissão brasileiro. Em menos de um ano contratamos aproximadamente 10% do que levamos mais de 100 para construir e isso é motivo de muito orgulho e satisfação”, analisou.

Ele ainda enfatizou a relevância do certame para o nordeste brasileiro: “Se no passado nós contratamos corrente contínua para integrar grandes hidrelétricas como Itaipu, Jirau, Santo Antônio e Belo Monte, hoje nós estamos contratando corrente contínua para coletar energia de centenas de usinas eólicas e solares localizadas no norte de Minas e no nordeste do país. Essas linhas permitirão que o nordeste continue sendo a nova fronteira de desenvolvimento de energia renovável no Brasil”.

A previsão para assinatura dos contratos de concessão é 03/04/24. De acordo com a estimativa da ANEEL e do Ministério de Minas e Energia (MME), os empreendimentos gerarão 37 mil empregos diretos e indiretos.

Confira notícias relacionadas