Por Maria Auxiliadora Coêlho de Lima* 

Diversidade, identidade territorial e potencialidades identificam a fruticultura brasileira, em estreita vinculação com as características do País. Nos diferentes espaços geográficos, a fruticultura representa vocações regionais que aliam particularidades climáticas e oportunidades de mercado, num número amplo de cadeias produtivas que contemplam desde culturas de importância alimentar global a espécies nativas que proporcionam novas experiências de consumo e valorizam os hábitos e saberes das comunidades locais.

Com um número considerável de cadeias, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, envolvendo diferentes perfis de produtores, estruturas de comercialização e investimento tecnológico. O desempenho desta atividade registra avanços relevantes. São 60 milhões de toneladas produzidas em cerca de 950 mil estabelecimentos agropecuários, totalizando 2,6 milhões de hectares. Ainda, o impacto da fruticultura no Brasil alcança os indicadores sociais, sendo uma das atividades agrícolas que mais gera empregos, com absorção de 5 milhões de pessoas no campo.

Enquanto a região Sudeste lidera a produção de frutas, respondendo por 51% do total nacional, a região Nordeste reúne 24% da produção, com o diferencial de ser líder em inovações tecnológicas. Importantes polos de produção estão localizados nessa região a partir do uso da irrigação.

Entre as frutas produzidas no País, a laranja é a de maior valor da produção, porém com consumo orientado para a indústria de sucos. As frutas de maior importância que seguem a laranja são todas destinadas ao consumo in natura. Banana, uva, cacau e manga são as culturas com maior valor da produção, enquanto banana, coco, manga e mamão destacam-se pela quantidade produzida.

O mercado interno é o principal destino das frutas produzidas no Brasil, mas as exportações têm atingido novos espaços e acompanhado as tendências de consumo de vários países, amparando-se por melhorias focadas na competitividade e garantia de qualidade. São cerca de 40 tipos de frutas exportadas. Manga, uva, melão, limão, maçã, melancia e mamão são as que respondem pela maior parte do faturamento da fruticultura no mercado internacional. Ressalta-se que o volume de manga, uva, melão e melancia é, em maioria absoluta, proveniente das áreas de cultivo da região Nordeste.

Reconhecendo-se a importância dessas cadeias e do investimento em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) que apoia a superação dos desafios científicos e tecnológicos, a Embrapa registra importantes contribuições para o estabelecimento, fortalecimento e modernização dessa atividade, destacando-se: cultivares de bananeira com boa resistência ao despencamento e a doenças e pragas; seleção de cultivares copa de citros; cultivar de citros com tolerância à tristeza dos citros; tecnologias aplicáveis à fruticultura orgânica; manejo de reguladores vegetais na cultura da mangueira para promover a floração e a produção em qualquer época do ano; sistemas de irrigação, manejo da copa, nutrição das plantas, colheita e pós-colheita para a fruticultura irrigada no Semiárido; Produção Integrada de Manga, de Uvas Finas de Mesa e de Melão; porta-enxerto BRS Guaraçá resistente ao nematoide-das-galhas da goiabeira; sistemas de produção de cultivares de videira para o Semiárido; cultivares BRS Tainá e BRS Vitória de uvas de mesa sem sementes; cultivares de uvas para suco ‘BRS Magna’ e ‘Isabel Precoce’, adaptadas ao clima tropical; cultivares de guaranazeiro, cupuaçuzeiro e açaizeiro; tecnologias para produção de mudas, manejo e boas práticas de colheita e pós-colheita de guaraná; contribuição para a Indicação Geográfica do guaraná de Maués; substituição de copa por enxertia em cupuaçuzeiro.

A estas contribuições, acrescenta-se a prospecção e diagnóstico junto aos stakeholders, como meio para identificação dos problemas atuais. Nos últimos anos, foram levantados desafios tecnológicos da fruticultura tropical para orientar as ações de PD&I: mecanização do manejo e da colheita em sistemas intensivos; ampliação do período de produção; eficiência da irrigação; redução das perdas causadas por pragas e doenças e aquelas de ocorrência no armazenamento; redução dos efeitos dos estresses hídrico, térmico e salino; redução do impacto ambiental da produção. As culturas alvo destes estudos incluem abacate, abacaxi, açaí, acerola, araçá, bacuri, banana, cajá, caju, camu-camu, citros, coco, cupuaçu, goiaba, guaraná, mamão, manga, mangaba, maracujá, murici, pequi, pinha, umbu e uva.

A visão de futuro traz o compromisso da inclusão de ações para intensificação sustentável, descarbonização, automação, priorização de insumos biológicos, tecnologias limpas e integradas, segurança e saudabilidade dos produtos, construção das bases de fruticultura tropical 5.0 e uso de big data e inteligência artificial. Tratar esses temas portadores do futuro desafia os players da fruticultura tropical às atualizações necessárias ao crescimento e evolução social, econômica e ambiental.

*Maria Auxiliadora Coêlho de Lima é Chefe Geral da Embrapa Semiárido

 

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