A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) está participando do World Agri-Tech Innovation Summit 2024, em São Francisco, nos Estados Unidos. A conferência anual, que termina nesta quarta-feira (20 de março), tem como objetivo promover o debate sobre tendências e oportunidades no setor de tecnologia agrícola mundial.

Além de apresentações técnicas envolvendo a Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativas (SDI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a ApexBrasil selecionou três startups nacionais para apresentar o potencial da tecnologia agrícola brasileira ao público de investidores e formadores de opinião convidados.

São elas: Ecotrace, que trabalha com rastreabilidade na cadeia alimentar; Muda Meu Mundo, com foco na capacitação de proprietários rurais no comércio; e Moss Earth, dedicada ao mercado de créditos de carbono. No evento, essas empresas têm a oportunidade de apresentar suas soluções a potenciais clientes e investidores interessados ​​na tecnologia e no comércio internacional de seus produtos.

Segundo a ApexBrasil, o objetivo da participação no WAIS é ampliar o diálogo internacional, promovendo a força do agronegócio brasileiro, que responde por aproximadamente 25% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Ao mesmo tempo, o evento é mais uma forma de apresentar novas oportunidades a parceiros de negócios, formadores de opinião e investidores internacionais, apoiado na divulgação dos aspectos tecnológicos, inovadores e científicos presentes na produção agrícola brasileira.

“Nesse contexto, é importante difundir a perspectiva histórica de que, em quatro décadas, o Brasil conseguiu criar um modelo de agricultura tropical sustentável e competitivo, sem paralelo no mundo”, afirma André Müller, gerente de Agronegócios da Agência. “Hoje temos mais de 20 polos de pesquisa e desenvolvimento tecnológico espalhados pelo país, e mais de duas mil startups focadas em soluções para a agricultura – as agritechs”, afirma.

Eixos temáticos

A participação do Brasil no WAIS 2024 tem foco em duas áreas principais: mudanças climáticas, com ênfase no que o país vem fazendo para conciliar a produção agrícola, a sustentabilidade ambiental e uma economia de baixo carbono; e tecnologia para a agricultura sustentável, mostrando o potencial das agritechs e das soluções tecnológicas para promover e garantir a sustentabilidade da agricultura através da inovação.

A escolha destes temas reflete uma agenda que converge com as estratégias para o Estado da Califórnia, onde as preocupações com os efeitos das alterações climáticas e a procura de soluções energéticas limpas e renováveis ​​estão na vanguarda do debate público. Da mesma forma, dado o alto perfil tecnológico da Bay Area, é destacado o papel da tecnologia no desenvolvimento sustentável, assunto que mobiliza esforços e atrai interesse de empresas, universidades e startups do Vale do Silício.

“Os projetos de carbono têm particularidades, dependendo da metodologia a ser utilizada e da integração entre tecnologias, cadeia produtiva e gestão. Nesse cenário, a ApexBrasil tem buscado promover projetos que integrem novas tecnologias e que possam influenciar a forma como a agricultura é realizada atualmente no Brasil, trazendo melhorias para a agricultura por meio da redução de emissões ou do aumento do estoque de carbono no solo, incentivando, por exemplo, novas práticas de rotação de culturas, cobertura do solo, trazendo eficiência no uso de água e fertilizantes. Esta é uma agenda que tem convergência e potencial de cooperação comercial e técnica entre o Brasil e os EUA”, acrescenta Muller.

Califórnia e Brasil

A economia do Estado da Califórnia é a maior dos Estados Unidos, representando aproximadamente 14% do Produto Interno Bruto total do país. Se fosse um país independente, seria o quinto maior PIB do mundo (3,6 biliões de dólares em 2023), segundo o Bureau of Economic Analysis.

A área da baía de São Francisco é o maior e mais influente centro tecnológico global. O Vale do Silício, em particular, é o ecossistema de inovação mais importante do mundo e abriga algumas das mais valiosas empresas de alta tecnologia da atualidade, como Apple, Google, Meta, Nvidia, Intel, entre outras. Possui um ambiente dinâmico de centros de pesquisa, universidades, laboratórios, fundos de investimento, startups, incubadoras e aceleradoras nos mais diversos setores e responde por quase um terço de todo o investimento de capital de risco nos Estados Unidos. É também líder mundial em número de unicórnios e decacórnios. A título de comparação, segundo a Forbes, entre as 50 novas empresas privadas de inteligência artificial mais promissoras do país, 34 estão na Bay Area ou no Vale do Silício.

Menos conhecido é o facto de o estado ser o maior produtor agrícola dos EUA e responder por aproximadamente 13,5% da receita agrícola do país, com destaque para frutas, nozes, vegetais e leguminosas. O Vale Central da Califórnia é uma das regiões agrícolas mais produtivas do mundo, com cerca de 230 culturas cultivadas. Na área de produtos orgânicos, responsável por 36% de toda a produção dos EUA e o setor continua crescendo.

A Califórnia é o principal parceiro comercial do Brasil nos Estados Unidos e seu principal superávit comercial com o país. No entanto, ainda há amplo espaço para aumentar as relações comerciais em ambas as direções. Em 2022, exportou mais de US$ 1,4 bilhão para cá, principalmente equipamentos de transporte, computadores e produtos eletrônicos, produtos químicos e máquinas não elétricas. E importou US$ 6,2 bilhões do Brasil, especialmente petróleo e gás, manufaturas de metais primários e alimentos processados.

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